terça-feira, 24 de julho de 2018

O escritor

Arar e preparar a terra branca;
Jogar nos sulcos a escura semente;
Cuidar, podar, aguar constantemente,
Com a ideia plena e a narrativa franca... 

A palavra que brota e que suplanta
A própria criação surpreendente.
Fertilizar o sonho comovente
E libertar o fruto da garganta.

A seiva da linguagem em seu terreiro 
A arte, a forma o estilo descoberto;
O sentimento maduro e aventureiro.   

O alimento da alma já liberto, 
O prazer do letrado fazendeiro

Na colheita dos grãos no livro aberto.

                              Hélio Cabral Filho

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